Governo paulista anuncia novos rumos na gestão de desastres

Às vésperas do início da Operação Chuvas de Verão, Defesa Civil divulgou mudanças na condução do problema dos desastres no estado, acentuando ações de prevenção para reduzir os riscos

Na mesa do evento: ao centro, a coordenadora estadual da Defesa Civil, Helena dos Santos Reis, Fonte: Ajica - SP

Na mesa do evento: ao centro, a coordenadora estadual da Defesa Civil, Helena dos Santos Reis – Fonte: Ajica – SP

Sempre que acontece um desastre, uma grande movimentação entre instituições governamentais, ONGs e imprensa é esperada. No Brasil, a primeira representação de poder público chamada ao local é a defesa civil, considerada no país a instituição protagonista na gestão de situações de resgate e acolhimento das vítimas.

A Defesa Civil do estado, porém, tem pontuado novas medidas e preparado suas equipes para uma mudança de conduta, com foco na redução dos riscos de desastres e não apenas na resposta a essas ocorrências. A nova atitude foi anunciada durante o Seminário sobre Desastres Naturais – Reduzindo Riscos e Construindo Cidades Resilientes, realizado no último dia 10, no Palácio dos Bandeirantes, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de São Paulo, em parceria com a Associação de Bolsistas Jica (Abjica), do governo japonês.

Realizado às vésperas do início da Operação Chuvas de Verão, atividade em que a Defesa Civil prepara seu pessoal para o desastre e pós-desastre, as discussões no evento simbolizaram a nova política de redução de riscos de desastres para as cidades paulistas.

A preocupação em mirar em atitudes de redução de riscos, e menos na resposta, busca um alinhamento mais claro com as tendências internacionais previstas em marcos e agendas globais, como o Marco de Ação de Sendai, adotado pelo Brasil durante a Terceira Conferência Mundial de Redução das Nações Unidas para a Redução de Riscos de Desastres, realizada no Japão, em 2015.  

Prevenir e evitar o desastre passou a ser o tom das ações da Defesa Civil, que acredita conseguir reduzir as perdas humanas, os impactos ambientais e os altos custos econômicos decorrentes dos desastres consumados.

O evento contou com a participação da pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Silvia Saito, do promotor da campanha da ONU Construindo Cidades Resilientes, Sidnei Furtado, e de especialistas em tecnologias de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Contribuições da ciência

A pesquisadora do Cemaden, Silvia Saito, apresentou o projeto Fortalecimento da Estratégia Nacional de Gestão Integrada de Riscos em Desastres Naturais, mais conhecido como GIDES, uma cooperação internacional entre governos brasileiro e japonês para fortalecer estratégias na redução de riscos de desastres.

Silvia Saito palestra no seminário. Fonte: Ajica – SP

Entre os objetivos do projeto, destacam-se o fortalecimento da avaliação de riscos em desastres, a capacidade de planejamento e implementação de medidas de redução de riscos e um aprimoramento do sistema de monitoramento das áreas, assim como dos protocolos de alerta que antecipam as informações sobre o risco.

Para alcançar esses objetivos, o Gides envolve uma abordagem interinstitucional com os ministérios das Cidades (MCidades), Ciência, Tecnologia Inovação e Comunicações (MCTIC), Integração Nacional (MI) e o Serviço Geológico do Brasil, ligado a Minas e Energia (CPRM/MME).

Para esse projeto, o Cemaden partiu de quatro eixos estratégicos: mapeamento das áreas de risco, monitoramento e alertas, planejamento urbano e recuperação e reconstrução.

 

As diretrizes do projeto já foram aplicadas nos municípios-piloto de Blumenau, Petrópolis e Nova Friburgo.

Cidades resilientes

Uma das palavras mais presentes quando o assunto é desastres, resiliente é aquele ou aquilo que apresenta capacidade de superar obstáculos, resistir à pressão e adaptar-se a mudanças. Uma cidade resiliente, portanto, deve ser forte e preparada para situações adversas e de riscos.

A Campanha Cidades Resilientes foi instituída pelo escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) para Redução de Riscos de Desastres e prevê o compromisso das cidades participantes em cumprirem 10 passos, até o ano de 2020, para se tornarem resilientes.

Durante o seminário, o promotor para Campanha Cidades Resilientes no Brasil, Sidnei Furtado, ressaltou a importância das cidades se anteciparem aos fatos e promoverem uma urbanização sustentável, essencial para reduzir riscos de desastres.

No Brasil, a campanha teve início em 2011, no município catarinense de Rio do Sul e chegou ao estado de São Paulo por meio da adesão da cidade de Campinas, em 2012. Hoje, no país, 1009 cidades já fazem parte dessa caminhada de 10 passos.

 

Furtado também lembrou que tornar uma cidade mais sustentável e resiliente é uma trabalho conjunto e integrado entre diversos órgãos da municipalidade e suas secretarias.

10 passos para uma Cidade Resiliente:

  1. Estabeleça mecanismos de organização e coordenação de ações
  2. Elabore documentos de orientação para redução do risco de desastres
  3. Mantenha informação atualizada sobre as ameaças e vulnerabilidades de sua cidade
  4. Invista e mantenha uma infraestrutura para redução de risco
  5. Avalie a segurança de todas as escolas e postos de saúde de sua cidade
  6. Aplique e faça cumprir regulamentos sobre construção e princípios para planejamento do uso e ocupação do solo
  7. Invista na criação de programas educativos e de capacitação sobre a redução de riscos de desastres
  8. Proteja os ecossistemas e as zonas naturais
  9. Instale sistemas de alerta e desenvolva capacitações para gestão de emergências em sua cidade
  10. Depois de qualquer desastre, vele para que as necessidades dos sobreviventes sejam atendidas e se concentrem nos esforços de reconstrução

Uma ajuda das tecnologias

Para um trabalho eficiente na redução de riscos de desastres, a tecnologia é uma aliada essencial. Plataformas de monitoramento, análise, alertas, monitoramento de encostas, tudo é feito e aprimorado a partir de inovações tecnológicas.

Marcelo Gramani manipula drone, nova ferramenta de trabalho do IPT.

 

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), por exemplo, tem investido em drones de alta resolução de imagem para mapeamentos de áreas com riscos de erosão, inundação e deslizamentos, além de veículos especiais para monitoramento de locais de difícil acesso.

Conheça o VINCE, Veículo de Investigação em Condições Especiais:

Marcelo Gramani, geólogo do IPT, explica a utilização desses novos equipamentos.

O geólogo ainda descreve os 5 passos da metodologia para redução de riscos prevista pela ONU e aplicadas pelo instituto.

 

Na missão de promover a cultura de redução de riscos de desastres, sob os preceitos norteadores do Marco de Sendai da ONU, o seminário apresentou ferramentas que auxiliam a construção de novos processos efetivos na prevenção ao risco.

Graduada em Comunicação social com ênfase em Jornalismo pela Universidade Nove de Julho, tem pós-graduação em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, onde desenvolveu a pesquisa xxxxxxxxx. Atua como jornalista em uma entidade representativa, além de escrever sobre a crise humanitária, imigrações forçadas e problemas relacionados às alterações climáticas. Tem interesse no desenvolvimento de pesquisas e projetos que contribuam efetivamente com a visibilidade das causas e, consequentemente, com a diminuição do sofrimento humano decorrente de desastres e violações dos direitos humanos.

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